Um lápis de Esperança

Dizem que o tempo cura tudo.... mas para ela o tempo só torna as coisas piores. O que acontece quando se perde tudo o que mais gostamos? Perdemo-nos também ou simplesmente fingimos que não se passa nada e tentamos continuar com a vida?

Sábado, 24 de Outubro de 2009

Só a mim.

-Trinta flexões. Agora!!!!!!! Sousa tu ficas quieta!

bem tenho que admitir que estar de muletas às vezes até dá jeito. Se não fosse por elas estaria agora a encher trinta porque a Ana não ouviu o instrutor a chamá-la, devido a estar distraída a olhar para o Alves. E para melhorar o cenário posso apreciar os meus adorados colegas a encher, o que diga-se de passagem faz crescer água na boca só de imaginar.

-Vinte e oito, vinte e nove, trinta! Muito bem, podem entrar para o refeitório. Sousa e Moreira vocês as duas ficam para último.

Mas o que é que raio é que o nosso sargento nos quer(nada de pensar coisas! Nosso é uma forma de tratamento respeitoso na tropa), à Ana se percebe, vai-lhe passar um raspanete por ela estar a olhar para o cu do Alves em vez de lhe prestar atenção. Mas eu não fiz nada, na realidade não tenho feito mesmo nada graças às muletas e ao santo do entorse no pé.

-Moreira - disse o nosso sargento assim que o pessoal "evacuou" para o refeitório - se te volto a chamar e tu não respondes porque estás demasiado ocupada a olhar para o Alves eu juro que vais desejar nunca ter concorrido para a academia. Sousa o director quer falar contigo, por isso põem-te a andar.

-Sim, meu sargento. - disse eu

Estou para ver quando é que vou almoçar, o Director só sabe falar, quando sair do gabinete já vão ser horas de lanchar!

-Raios. As minhas mãos. - disse eu a falar sozinha, um sinal de maluqueira eu sei mas é a vida - Se eu apanho o inventor das muletas......

-Acho que mesmo que ele fosse vivo seria um bocado difícil de o matar, não achas?

A sério que não sei como é que ele o faz, mas o Ricardo tem uma pontaria de meter medo ao susto!

-Estava a ser irónica - disse eu - Não ia matar o pobre coitado.

-Eu sei que não, estava só a meter-me contigo.

-Não tens nada de mais produtivo que fazer'

-até tinha mas mandaram-me vir falar com o Director, e por isso tive que deixar o meu adorado puré de batata rançosa a meio.  ironizou o Ricardo

-O quê?! Hoje é puré? Que nojo!

-Infelizmente sim. Acho que até morrer alguém vamos ter que comer aquilo.

-Nem os presos comem tão mal - queixei-me eu.

-Isso é a experiência a falar?

-Não. Oh boa, escadas! - disse eu ao chegar-mos ao edifício central

-Mas será que só te sabes queixar? - disse o Ricardo

-Não também sei lamuriar-me, porquê?

-Só para saber.

-Não comeces. Já experimentaste subir escadas de muletas? Posso-te garantir que não é divertido.

-Que não seja por isso. - disse o Ricardo e pegou-me ao colo

-Pousa-me no chão! - berrei eu - Estás doido?!

-Mariquinhas. Achas que eu te vou deixar cair? - disse o Ricardo

-É exactamente disso que tenho medo.

-Já te deixei cair por acaso?

-Não e não quero experimentar.- disse eu

-Está bem. Mas podias ao menos agradecer, graças a mim não tiveste que subir escadas.

-Obrigada.- disse eu

-Ah já chegaram. Sentem-se. - disse o Director - Como é que está o teu pé Sousa?

-Bem obrigada - disse eu

-Mandei-vos chamar porque já encontra-mos o responsável pelo incidente da semana passada. Agradeço-vos por me terem vindo informar logo da situação

Pois porque se não informássemos o mais provável era sermos expulsos por isso não me parece que tivéssemos grande escolha!

-Queria também informar-vos de que não se voltará a repetir a situação.

Mas será que o homem não se cala? Já está á meia hora a falar do mesmo e não se cala. O homem deve gostar mesmo muito de monólogos!

-Bem não vos retenho mais podem ir almoçar. E muito obrigado.

Aleluia!

-Obrigado. - disse o Ricardo

--Meu Deus o homem não se cala. - disse o Ricardo

-Isso são maneiras de falar do nosso adorado director, Gomes?

-Estás bem? - disse o Ricardo a olhar para mim com uma expressão na cara de incredibilidade

-Estava no gozo, escusas de ficar a pensar que sou masoquista. Só devo ter ouvido os dois primeiros minutos do paleio o resto não ouvi nada. mas tu importas-te? - disse eu

-Eu não.

-Ai que piada pousa-me no chão. Eu sei andar!

-Não duvido disso mas assim demoravas mais tempo.

-E o que é que tu tens a ver com isso?

-Não te vou deixar sozinha ainda te matas.

-Ai que piada. Eu sei tomar conta de mim.

-Não sei se acredito nisso.

-Já me podes pousar no chão. - disse eu ao chegar-mos ao fim das escadas.

-Ok. queres companhia até ao refeitório?

-Não é preciso. A não ser que queiras ir dizer olá ao Sargento Pereira.

-Ao Pereira? São vocês que almoçam com ele? Coitados!

-É divertido.

-estás doente?

-Não, Hoje tive a oportunidade de ver os meus colegas a encher e eu fiquei quieta a observar.

-E a olhar para o cu de alguns não?

-Mas que impressão é que tens de mim? Achas que eu faria isso?

-Não acho, tenho a certeza.

-obrigadinho. Mas tens razão até olhei.

-E depois o perverso sou eu.

-Não disse isso.

-Pois não mas pensas-te.

-Nem vou comentar essa.

-Bem queres entrar, ou preferes ir comer puré à outra cantina?

-Não leves a mal porque até nem me importava de almoçar contigo mas não me parece que o resto do pessoal acha-se muita piada.

-Ok, eu não levo a mal.

-A gente vê-se por ai.

-Ok.

Meu deus! porquê que ele tem sempre que me dar um beijo? Não que me importe, mas isto não vai contribuir para a diminuição do histerismo da Ana.

Bem a cara dela está linda. mas um bocado e os olhos saltam-lhe das órbitas.

-Aquele é o Ricardo? - disparou ela mal me sentei à mesa

-Sim. Porquê?

-Porquê? - disse a Sofia - Tu não deves ver o mesmo que eu só pode. O gajo é podre de bom.

-Já tinha reparado - disse eu

-Só a mim é que não me acontecem destas- queixou-se a Sofia.

-Nem comento.

-Não precisas a tua cara diz tudo. - disse a Ana

-Não foi graças a mim que o pessoal teve que encher trinta.

-Mas tu falas baixo!

-Porquê o Alves ouviu o nosso Sargento.

-Não ouviu nada.

-Acredita que ouviu. Ele foi o último a entrar.

-Oh Meu Deus que vergonha.

-E bem vergonha. - disse eu

-Preparada para fazeres de vela o resto do ano Di? - perguntou a Sofia

-Já estou habituada. Não fiz outra coisa durante o secundário inteiro.

 -A tua vida devia ser mesmo deprimente.

-Nem tu sabes o quanto...

publicado por MiSá às 10:37
sinto-me: De fim de semana
música: Serenate - Did you fall from a shooting star
olá! ainda bem que existem homens cavalheiros e que ajudam uma menina em apuros. as melhoras da entorce! beijos e cont. de um bom fim de semana!
nuno a 25 de Outubro de 2009 às 01:21

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