Um lápis de Esperança

Dizem que o tempo cura tudo.... mas para ela o tempo só torna as coisas piores. O que acontece quando se perde tudo o que mais gostamos? Perdemo-nos também ou simplesmente fingimos que não se passa nada e tentamos continuar com a vida?

Terça-feira, 02 de Fevereiro de 2010

De volta a casa - Parte 1

É impressionante, ainda não cheguei  casa e já estou deprimida. Tenho dois dias antes do Natal de férias e como este é na sexta os meus pais quase que me obrigaram a vir a casa passá-lo e como o semestre já acabou fico lá encalhada até dia 2 de Janeiro. Mas convidei a Ana, a Sofia,o Tavares e o Ricardo a virem passar comigo a pasagem de ano, vamos todos para S. Pedro de Moel ver o fogo de artifício, visto que é uma praia mais sossegada que a Nazaré e aproveitam e vão dormir lá em casa o dia antes e o dia depois da passagem de ano. 

Mas nem tudo é mau, este ano o Pierre, a Marie, a Jacqueline, o Jacques e os meus avós vêm cá passar o Natal, os meus tios estão numa viagem de negócios por  isso não podem vir. A minha sobrinha, a filha do Nuno e da Carla, já nasceu. Chama-se Alexandra e vou vê-la pela primeira vez assim que chegar a casa. E claro vou ver todos os meus amigos do secundário e matar saudades. Vai ser tão bom! E completamente doido já que todos eles, os meus irmãos e as namoradas/mulheres, e o pessoal da Academia que eu convidei, vão passar a Passagem de Ano connosco,por isso acho que podemos alugar um autocarro para nos levar a todos, ou de outra maneira não vai ser fácil estacionar tanto carro.

A rua onde os meus pais moram.... é estranho mas sempre tinha pensado que ia sentir saudades disto, mas não sinto. As casas, ou em alguns casos as mansões, erguem-se umas atrás da outras cada uma mais espectacular e maior que a outra. Umas brancas outras amarelas, mas todas com vários telhados, com piscinas interiores e exteriores, jacuzzis e jardins soberbos, tratados por jardineiros que passam horas a podar sebes e a cortar a imensidade de relva que está sempre verde, jardins esses que na Primavera se enchem de cores que formam um espéctaculo de tal modo maravilhoso que quando eu era pequena achava que eram as casas de fadas e princesas; e na última saída à esquerda uma rua com casas de vários andares que subiam por uma colina acima. A do meus pais era a última, uma casa beje com três andares, no cimo da colina, com uma vista de cortar a respiração sobre a cidade nos andares superiores, e ladeada por uma sebe que impede de se ver o andar mais baixo da rua, uma piscina nas traseiras e relva na frente com canteiros de flores. Já cá estão todos, pois vê-se os carros de toda a gente.

Voltar aqui deixa-me mesmo deprimida. RAIOS DETESTO ISTO!!!!!!!!!!!!!!!!!! Se fosse esperta dáva meia volta ao carro e ía embora. Não gosto de estar aqui faz-me lembrar de coisas que quero meter para trás das costas. Pronto já estacionei. Agora é só sair e enfrentar a tortura, fardada. Sim porque não tive tempo de mudar de roupa, já que o nosso querido instrutor se lembrou de nos ir mandar correr porque alguém ressonou muito alto à noite ou algo do género.

-TRIIIMM!!!!!! - fez a campainha mal eu presionei o botão 

-Oh meu Deus! Daniela? Estás tão diferente!

Diferente eu? Nem o cabelo cortei, na realidade tive que o deixar crescer de tal maneira que agora não preciso de ganchos para o atar, como no secundário, o que dá mesmo muito jeito embora esteja a precisar de ser cortado porque já me chega a meio das costas, de resto só estou mais musculada, não pareço a Miss Músculos mas acho que flacidez é o oposto da minha pessoa. Já o Carlos..... parece um daqueles homens todos emperuados.

-Carlos?! Quem és tu e o que fizeste ao meu irmão para ele estar de camisa?

-É só hoje não tinha mais camisolas lavadas, - disse ele ao dar-me um abraço - mas tu não deves ter mais nenhuma roupa para além da farda pelos vistos.

-Estive a correr e não tive tempo de mudar de roupa.

-Ok. Queres que leve a tua mala?

-Queres levá-la?

-Não.

É mesmo uma típica saída à Carlos. Acho que só por causa isto o devia obrigar a levar a mala.

-Então deixa que eu levo. - disse, afinal eu não sou uma pessoa que gosta de ver o Carlos a trabalhar e eu a descansar. Espera aí, até gosto. Enfim.....

-Pronta? Aviso-te que aquilo está uma confusão, parece a guerra.

-Estou treinada para cenários desses por isso acho que consigo sobreviver. 

 -Pessoal!!!! Olhem só quem chegou!! - gritou o Carlos a plenos pulmões mal entramos em casa.

-É necessário esse barulho todo?! - perguntei eu - O que é que passou aqui?

-Eu avisei-te...

Isto é a casa dos meus pais?! Mais parece um filme de terror, só que sem o sangue e o pessoal morto... A casa está completamente decorada para o Natal, como sempre, mas este ano há brinquedos de criança por todo o lado, as plantas da minha mãe desapareceram, as fichas eléctricas estão tapadas com protectores e os horrorosos cristais da minha mãe "evaporaram" (já gosto da Alexandra só por causa disso). Em conclusão a casa está completamente transformada numa verdadeira casa segura para bébes e é assustador.

-Daniela! Já chegaste, que bom. - disse o Nuno

Ok, afinal também há mortos, que falam e tudo mas isso é um pequeno aparte. Será que a Alexandra é tão difícil de aturar? É que o Nuno tem uma cara de morto que é obra, parece que não dorme à anos!

-Olá Nuno! Tudo bem?

-Tudo! Gostas assim tanto da tropa?!

-Adoro - disse eu e na realidade nem estava a mentir. Eu gostava mesmo muito da tropa, quase tanto como gostava de... bem de nada.

-Espera aí. Fica quieta só um segundo. Deixa-me só ir buscar a máquina fotográfica. - disse o Edu

-Que piadinha! Isso é inveja?

-Claro que sim - ironizou ele - Eu adoro fardas.

-Meu isso foi um bocado duvidoso. - disse o Carlos

-Um bocado? Diz antes muito. A MJ já sabe dessa tua vertente Eduardo? - disse o Nuno

-Que piadinha. - berrou o Edu, muito provávelmente do escritório

-Onde é que está o Daniel? - perguntei eu já que não é normal o meu 2º irmão mais velho perder uma oportunidade de me chatear.

-A adormecer a Alexandra. - disse o Nuno, como se o Daniel a tomar conta de crianças fosse a coisa mais natural do mundo, o que diga-se de passagem não é.

-Tu deixaste a tua filha sozinha com o Daniel? Tens noção que podes ser acusado de maus tratos? - disse eu

-Curiosamente o Daniel é super cuidadoso com a miúda, também não é para estranhar vindo de alguém quer quer trocar ortopedia por pediatria.

-Estás a gozar certo! O Daniel quer ser pediatra? Socorro!

-Aleluia alguém que concorda comigo! - disse uma voz, que me fez recuar uns meses ,que mais pareciam anos.

-MJ!! Estás aqui! - disse eu e abracei-a

-Olha que novidade. - disse o Carlos - Sem ofensa MJ.

-Não fiquei ofendida - disse a MJ a rir.

Ela está diferente. Está mais alta, com um ar de menina de bem que nunca pisa o risco, mas aquele sorriso com que ela andava sempre continua lá por isso suponho que em termos de maluqueira continue a mesma de sempre.

-O meu deus é tão bom ver-te! - disse eu quando a "soltei"

-Também é bom ver-te. - disse a MJ - Já agora Nuno, o que é que a MJ deve saber?

-Nada de especial, foi só o Edu que confirmou o seu fetiche por fardas.

-Nesse caso já sei o que fazer da próxima vez que ele olhar para outra gaja. - disse a MJ

-Olha que isto há gente com sorte! - disse o Carlos

-Isso são ciúmes, Carlos? - disse o Edu ao chegar com a máquina fotográfica na mão

-Da gaja? - disse o Carlos e olhou a MJ de cima a baixo - Sim, pode-se dizer que nisso tens muita sorte.

-Obrigada maninho. - disse a MJ

-Não tens de quê.

-Daniela sorri! - disse o Edu e tirou-me uma foto.

-Apaga isso ou vais desejar nunca ter nascido - disse eu

-O que é que me vais fazer? Alvejar-me?

-Só não o faço porque não me deixaram trazer a pistola para casa. Mas não te preocupes, tive defesa pessoal e boxe, de certeza que consigo fazer algo sem a pistola.

-Então o que é que se passa aqui? Querem acordar a Xana?! - disse o Daniel porque eu e o Edu estávamos a correr um atrás do outro em círculos e aos berros.

-Oh! Olá Ni!

-Daniel! Então a nossa sobrinha ainda está viva é que eu quero conhece-la.

-Que piadinha! Também é bom ver-te. E nem sonhes que vais acordar a Xana, conhece-la quando ela acordar.

-O Nuno a filha é tua ou é do Daniel? É que se fosse a ti fazia um teste de paternidade.

-Eu confio na Carla.

-É bom que sim se queres continuar vivo. Olá Daniela. - disse a minha cunhada, a Carla

-Olá Carla tudo bem? Agora é que eu tenho mesmo de perguntar... Mas a filha é vossa?

A Carla está como sempre a conheci, elegante e sem uma ponta de gordura naquele corpo. Será que ela tem comido? É que ela não parece mesmo nada com alguém que foi mãe à 3 semanas.

-Sim porquê? - disse ela

-Tens comido? É que não parece, está igual ao que estavas antes de engravidares.

-Obrigada.

-Eu vou lanchar alguém quer vir? - disse o Carlos enquanto ia em direcção à cozinha

-Deixa-me só ir tomar banho e vestir outra roupa e já vou ter contigo.

-Eu também vou - disse o Edu - Vens amor?

-Sim. - disse a MJ

-Nesse caso vamos todos. - disse o Nuno - Despacha-te Daniela, senão quando chegares já não há comida.

-Está bem, dá-me 9 minutos.

-Nove minutos para quê? Chegares lá acima? - disse o Daniel

Oh maninho se tu soubesses.... 9 minutos é mais do que tempo suficiente, afinal na tropa não se brinca.

publicado por MiSá às 21:14
sinto-me: Inspirada
música: Sugababes - In the middle

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