Um lápis de Esperança

Dizem que o tempo cura tudo.... mas para ela o tempo só torna as coisas piores. O que acontece quando se perde tudo o que mais gostamos? Perdemo-nos também ou simplesmente fingimos que não se passa nada e tentamos continuar com a vida?

Quarta-feira, 07 de Outubro de 2009

A minha nova casa

As minhas primeiras semanas na Academia poderiam ser descritas da seguinte maneira: dores musculares à vontade do freguês, molhas e noites passadas em branco todos os dias/noites, muito estudo, passar a vida da universidade para a academia (Os alunos de medicina têm aulas na faculdade, porque 2% das vagas são para o exército, o que equivale a umas dez pessoas mais ou menos) e acima de tudo a melhor coisa que me aconteceu nos últimos três anos. A Ana revelou-se uma amiga excepcional, completamente doida e que não me deixa deprimir por nada deste mundo e conheci o Alves que é o amor da vida da Ana é hilariante vê-la a engasgar-se quando ele vem falar connosco. Já devo ter enchido umas 300 flexões à custa do meu riso histérico provocado pela cara que a Ana faz. Eles conhecem-se à cinco anos mas a Ana não tem coragem para lhe dizer que gosta dele e vice-versa, mas pelo menos assim não tenho que fazer de vela. Por isso já arranjei pessoal para substituir o Pedro e a Jô, que estão em Coimbra a viver ao lado um do outro, mas que segundo a Jê (que vive com a Jô) vivem mais juntos porque só muito raramente é que a Joana está em casa (vá-se lá saber porquê!). Todos os meus amigos do secundário estão a adorar a universidade e eu estou a adorar a academia. Isto faz-me bem, quando estou mais para o deprimida vou correr ( o que faço muitas vezes, tantas que quando escurece já nem tropeço nem nada de tão habituada que estou a treinar no escuro) e andar aos tiros é óptimo para aliviar o stress (na realidade eu a Ana e o Alves somo os melhores atiradores da academia o que é muito fixe!) quanto à medicina vai andando estou a aprender (lentamente) a gostar daquilo, o que diminui em muito o meu mau humor por ter de ir estudar o sistema digestivo de um humano ou algo do género.

-Aonde é que vais? - perguntou a Ana

-Pintar o edifício principal de azul. O que te parece?

-Acho que tens que fazer para o resto da tua vida. Queres mais um par mãos? - perguntou a Sofia, uma amiga minha que conheci porque a cama dela está ao lado da minha

-Se quiseres por mim estás à vontade.

-Fixe.

-Eu estava no gozo, sabes? Vou correr mas se quiseres vir estás à vontade.

-Oh!!! - disse a Sofia verdadeiramente desapontada é que a rapariga tem um ódio por cor-de-rosa que é algo de notável - não obrigado já me basta correr o que me obrigam!

-Ok. Até daqui a um bocado.

-Transpira muito! - disse a Ana

Os dois meses que já cá tinha passado tinham-me permitido perceber que se quero correr o melhor é fazê-lo à noite porque os campos estão livres e não há ninguém a ver. A culpa deste meu hábito é da Ana porque ela diz que assim está mais concentrada porque não tem uma porrada de gajos podres de bons à volta, ou seja não tem para onde olhar o que reduz em muito a possibilidade de uma pessoa cair porque está distraída a apreciar os abdominais de algum rapaz que teve a brilhante ideia de tirar a camisa ou de ficar só com a t-shirt da nossa farda que é uma coisa ligeiramente pró apertada. Por isso lá estava eu a correr muito bem quando de repente não sei como tropeço numa coisa qualquer e cai-o estatelada no chão.

-AU!!!!!!!!!!!!! Raios!!!! O MEU PÉ!!!!!!!!- Gritei eu enquanto me tentava levantar mas quando me levantei cai de imediato, ou pelo menos devia de ter caído. Havia alguém a segurar-me impedindo-me de cair, o que até era bom porque a avaliar pela dor e pelo estalo que tinha dado eu devia ter feito uma bonita entorse no pé.

-Estás bem? - perguntou uma voz forte

-Sim. Já me podes deixar- disse eu, embora se ele me continuasse a prender assim eu não me importa-se se ele não me deixa-se, conseguia sentir os músculos dos braços dele a suster-me e acreditem em mim não eram nada fracos.

-De certeza que consegues manter-te em pé?

-Sim. Acho que sim.

-Ok. Vou largar-te. - disse ele como se não acreditasse que eu me iria conseguir segurar em pé.

-Está bem. - disse eu, a verdade é que eu também não acreditava muito que me conseguisse segurar sozinha mas o braço dele à minha volta estava a interferir com a minha cabeça, já para não falar no cheiro dele e estava com medo que ele conseguisse ouvir o meu coração a bater feito doido.

E ele largou-me o que fez com que eu me desequilibrasse para a frente e tivesse quase caído para o chão se ele não me tivesse segurado, outra vez!

-Acho que é melhor não te largar ou ainda cais. Já agora porquê que cais-te?

-Tropecei em qualquer coisa, parecia uma arma mas não tenho a certeza.

-Uma arma? Tens a certeza?!

-Eu sei que é improvável mas foi o que pareceu.

-Aonde é que tropeçaste? - perguntou ele

-Ali - disse eu apontando para o sítio

-Fica aqui que eu vou ver - disse-me enquanto me sentava no chão

-Tens razão. É mesmo uma arma.  - disse ele ao chegar ao lugar que lhe tinha indicado - Mas o que é que fará aqui abandonada? Não é suposto estar uma arma abandonada no chão. Ainda por cima no meio do campo de treinos.

-Achas que alguém a deixou aí de propósito?

-Se calhar. Vamos à enfermaria. - disse ele enquanto me pegava ao cola como se eu fosse a coisa mais leve do mundo.

-Não é preciso a sério.

-Eu até dizia que não mas não se vê grande coisa para ter a certeza.

-A sério que não é nada! Acredita em mim.

-És médica por acaso?

-Quase só me faltam 4 anos.

-Só me faltam dois por isso quem decide sou eu.

-Desculpa?

-Estou no terceiro ano de medicina e tu pelos vistos só andas no primeiro, por isso quem decide se precisas ou não de ir à enfermaria sou eu.

-Está bem ganhas-te.

-Sou o Ricardo já agora.

-Daniela.

Quando sai-mos do campo e começou a haver claridade graças aos candeeiros consegui ver-lhe a cara o que não ajudou em muito para diminuir o meu ritmo cardíaco. O gajo não só era forte e tinha uns bons abdominais (eu conseguia senti-los mesmo por debaixo da farda!) como cheirava bem e tinha uma cara linda!!! Era meio loiro e tinha uns olhos castanhos lindos de morrer! Deus queira que ele não consiga sentir o meu ritmo cardíaco a acelerar.

-Oh meu deus!! O que é que fizeste Gomes? - perguntou a enfermeira ao Ricardo quando ele entrou comigo ao colo.

-Eu nada! Ela é que tropeçou. Só a ajudei a vir para aqui.

-Estás bem querida? - perguntou-me a enfermeira preocupada.

-Sim só magoei o pé.

-Que a avaliar pela tua capacidade de te manteres em pé é bem capaz de ser um entorse.

Em respostas a isto fuzilei-o com um olhar. Aquele traidor tinha mesmo que abrir a boca?

-Em que é tropeças-te querida?

-Não é melhor dá-lhe algo para as dores é que pela cara dela aquilo não deve doer pouco. - disse o Ricardo ou Gomes, é que esta mania do pessoal se tratar pelos apelidos às vezes até mete piada!

-Tens razão. Desculpa querida. - disse a enfermeira enquanto preparava uma agulha

-Deixe estar. Não é preciso!  - disse eu apavorada, eu detesto agulhas!!!

-Não acredito! Uma futura médica com medo de uma agulhazinha?! - troçou o Ricardo - Toma. - disse ele estendendo a mão

Eu até tinha recusado mas é que estava mesmo apavorada. Eu não gostava mesmo nada de agulhas.

-Obrigada. . disse eu apertando-lhe a mão.

E depois aconteceu uma coisa estranha. Não ele não me beijou, embora não me tivesse importado se isso tivesse acontecido. Quando o Ricardo me viu a começar a tremer por causa da agulha e a apertar-lhe a mão com toda a força, ele agarrou-me sentou-me ao colo dele e encostou-me a cabeça contra o peito dele de maneira a eu não conseguir ver a agulha, o que foi super querido. E quando eu senti a agulha a espetar-me ele murmurou-me ao ouvido:

-Está tudo bem. A sério já passou.

Eu estava a sentir bem mas ao mesmo tempo uma pita por estar a agir daquela maneira por causa de uma agulha.

-Já está- disse a enfermeira, enquanto me começou a examinar o pé.

-Então mas afinal tropeças-te em quê? - voltou a perguntar a enfermeira

-Numa arma- disse eu

-Numa arma? Aonde? - perguntou a enfermeira verdadeiramente escandalizada

-No campo de treinos.

-Não pode ser como é que uma arma lá foi parar?

-Não faço ideia.

-Tens o pé torto. Vais ficar sem treinar durante um mês pelo menos. E depois logo se vê.

-O quê? - perguntei eu

-Um mês sem fazeres esforços e vais andar de muletas e com uma ligadura.

-Isto só a mim.

-Podia ter sido pior - disse o Ricardo

-Que positivismo danado! - respondi-lhe eu.

-É melhor irem ao gabinete do director participar que encontraram a aram no chão.

-Sim, nós vamos.

-Vens? - perguntou-me o Ricardo

-Sim

-Consegues andar com isso ou queres que te leve ao colo? - perguntou-me o Ricardo quando saímos da enfermaria

-Acho que consigo andar obrigado´.

Quando chegamos ao gabinete do director o homem não queria acreditar que alguém pudesse ter deixado uma arma assim no meio do campo, mas depois lá se convenceu e disse que ia abrir uma investigação sobre isso, porque afinal não é todos os dias que se vê uma pistola de 7,65mm abandonada no meio do campo de treinos.

No final o Ricardo acompanhou-me até à minha caserna com o pretexto de verificar que eu não voltava a tropeçar.

-Bem eu fico aqui. Obrigada por tudo.

-Não tens de quê.  - disse ele

-Bem....... Boa noite - disse eu

-Boa noite - disse ele e deu-me um beijo na testa.- dorme bem.

-Obrigada. Tu também.

Bem a Academia acabou de ganhar um outro encanto. Esperem só até eu contar à Ana e à Sofia!!

publicado por MiSá às 16:03
sinto-me: com sono
música: Marie Serneholt - I need a house

3 comentários:

olá! Isso é ficção ou aconteceu mesmo contigo? Bem, isso dava um lindo filme e romântico, por sinal. bem, se isso aconteceu contigo, as melhoras! beijos
nuno a 7 de Outubro de 2009 às 18:05
Eu não acredito que conseguiste mesmo uma missão impossível...
Transformaste uns aninhos no exército, a rigidez da academia militar, onde não há tempo para nada, nem sequer umas corridas à meia-noite, numa história romântica! Adoro-te por isto!
Acredita que quando eu não era terrivelmente míope e falava aos meus pais sobre o meu futuro militar, a minha mãe acudia logo aos seus futuros netinhos que não haviam de chegar devido à falta de uma vida pessoal. Proibi-a de tocar no assunto desde então.


Beijos
Até amanhã
Jane Doe a 7 de Outubro de 2009 às 20:12
POR FAVOR! Piedade!
Não me mates!!!
(Fim da narração de R. Gomes)

Beijos
Ana
Jane Doe a 19 de Outubro de 2009 às 18:16

mais sobre mim

Outubro 2009

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
21
22
23
25
26
27
29
30
31

pesquisar

 

arquivos

comentários recentes

  • Olá Mia! Sim, eu sei. Infelizmente não tenho tido ...
  • Misá, a desaparecida !
  • Olá! Acho que tens razão. Mas lembrei-me de uma pa...
  • Olá Misá!Sim tenho um grande problema em ter algué...
  • Olá Misá! Desculpa, aquele comentário não é para t...
  • Olá principeza!Quando vais postar,de novo M*?Pleas...
  • oBRIGADA, QUERIDA^^
  • Claro que não fico magoada (:Obrigao pelo teu apoi...
  • Ainda bem que gostaste, fico super contente : DBei...
  • Hey ! ^^Desculpa a invasão, mas era só para avisar...

mais comentados

blogs SAPO


Universidade de Aveiro